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Ensaio ao Toyota C-HR, o arrojado

Foi com alguma expectativa que conduzimos um Toyota. É uma marca das ‘antigas’, afinal foi fundada em 1937 por Kiichiro Toyoda, e não só disputa o lugar de maior construtora mundial automóvel, como firmou uma imagem ‘séria’. E esse factor sente-se ao entrar num Toyota, que poderia ser um sinónimo de robustez, durabilidade, confiança ou convencional… ou pelo menos até conduzir o novo Toyota C-HR. E conduzimos, e de convencional tem pouco. 

Este novo modelo Toyota separa-se dos seus antepassados, não na qualidade mas das linhas mais consensuais, do design mais familiar. O C-HR é indiscutivelmente diferente e arrojado, os melhores adjectivos para descrever a  ‘máquina’. Temos de agradecer à Toyota que nos cedeu o veículo, e logo numa cor que exaltava o seu arrojo, que ajuda à diferença, um azul forte ou, como o define, azul nébula. As linhas sobressaem na cor, e não é para os mais comedidos ou para os que querem passar discretos. A forma, as rectas e a agressividade das linhas contrastam na cidade entre pares. Mesmo na própria marca, com este C-HR a mostrar-se diferente, numa marca que sempre nos habituou a qualidade mas num design mais consensual, familiar. 

O estilo próprio começa na frente, dominada pelos dois faróis que se fundem pela grelha. A zona mais baixa é preenchida por outra grelha, que se assemelha a uma boca pronta a devorar o asfalto. Depois existem os guarda-lamas corpulentos, que alargam a lateral e concedem o tal aspecto agressivo, bruto, mais quando existem vincos a contornar e percorrer o carro, como que a vincar a personalidade, que se estendem desde o farol dianteiro ao farol traseiro. A zona superior surge a negro brilhante, logo por cima das janelas que estão adornadas com um friso cromado, e ajuda a realçar o negro. Na traseira os faróis ‘imitam’ o arrojo e saem, destacam-se do próprio veículo, mas com alguma semelhança a outro modelo nipónico (Civic). As jantes de 18” são enormes e o culminar do conjunto. E que bem que ficam. 

É num todo um carro que impressiona, e mesmo numa cor mais neutra, tem o seu ‘quê’ de astucia, uma linha própria agressiva, com estilo. 

O interior é um misto, confesso, entre tecnologia, surpresa, qualidade e algum conservadorismo. A qualidade notória dos materiais faz juz à fama da marca, e apesar do tecido da unidade que ensaiamos, sobejava conforto e, muito importante, apoio. Os bancos eram género baquet, o que ajuda imenso no encaixe do corpo, no conforto nas deslocações e principalmente em curva, não deixando o corpo adornar pelas laterais. Ficamos ali, fixos e bem sentados. E que importante este ponto é! O tablier é revestido a pele, secundada por uma faixa a combinar com a cor do carro, neste azul nébula, depois preto brilhante e finalmente a zona de borracha, onde sobejava espaço para as pernas.  A combinação de detalhes espalha-se por todo o interior, mas acrescenta pormenores em diamante nas portas.  

No lugar do condutor, o conforto está a par com a colocação de tudo o que é indispensável à condução, vulgo comandos e manómetros, ou mesmo banco dianteiros aquecidos. Temos de fazer aqui uma nota para a chave… a chave, uma peça importante que quase está extinta na maioria dos modelos existentes no mercado, pelo menos nos moldes normais, vulgo, colocar no canhão de ignição e rodar. As marca adoptaram o reconhecimento, e se alguns possuem ainda uma ranhura, outros basta aproximar do carro, como os Lexus… Neste arrojado Toyota estava lá a chave, à antiga, e funciona! Conservadorismo num arrojo de carro.

Prima ainda pela segurança, ou não fosse Toyota, e o novo C-HR vem dotado com o Toyota Safety Sense, um recém-desenvolvido conjunto de quatro tecnologias ativas: Sistema de Pré-colisão, Luzes Máximas Automáticas, Reconhecimento de Sinais de Trânsito e Aviso de Saída da Faixa de Rodagem. Nota para este último, e para quem não gosta de fazer piscas. O carro reconhece a faixa de rodagem e, em caso de mudança de faixa sem pisca, ele assume como um erro ou distracção e tenta corrigir a trajectória… e chega a assustar com a reacção.  

Já no capítulo da conectividade, há que contar com o sistema Toyota Touch 2 que contém o sistema de navegação GO. Este sistema é funcional e possui uma disposição mais intuitiva e simples da informação…mas talvez demasiado simples. Confesso que não apreciamos muito a interface, mas admitimos que é funcional e possui uma vantagem: não distrair demasiado o condutor e ser de fácil utilização. Sim, porque a ideia de colocar ecrãs vistosos e bonitos, cheios de cor e muita coisa para distrair o condutor… não é por isso que é proibido usar telemóveis no carro?

O espaço interior acomoda com conforto quatro passageiros… o quinto, no lugar difícil ao centro da traseira sofre, mas ao estilo do comum  automóvel. Os banco também possuem um bom encaixe na parte posterior, mas devido ao design do próprio carro, há uma sensação de caixa. Para quem uma estatura mais baixa, e não tiver sono, sente-se um pouco ‘escondido’ lá dentro. É o preço a pagar pelo design, e por um pilar central largo, janela no topo ou mesmo o óculo traseiro, minimalista. Mas não assusta. É o design, e que bem lhe fica.

Na estrada evidencia-se o bom trabalho da marca no desenvolvimento de um chassis polivalente. É grande, mas a boa distância entre eixos (2640mm) dá uma sensação de segurança, conforto e maneabilidade, permitindo inclusive mudanças de direcção mais rápidas, correcção da trajectória escolhida ou sobrepor-se às irregularidades da estrada, ou fora. Tudo parece ser fácil para este chassis. Mas o chassis merecia mais motor, dada a sua robustez e competência. 

A unidade ensaiada possuía o motor 1.2 Turbo, que na realidade tem ‘apenas’ 1196cc, é capaz de desenvolver 116 cavalos às 5.200rpm, com um binário respeitável de 185Nm logo ás 1.500rpm e mantêm-se com capacidade atlética até às 4000rpm, bem à medida do seu meio preferencial, o urbano. Resposta rápida em baixas, facilidade de subida de rotação, e desenvolve e executa qualquer resposta exigida no acelerador. Este novo motor Toyota recorre a algumas características invulgares, recorrendo por exemplo a um ciclo Atkinson, ao invés do mais habitual Otto, e ao novo comando variável de válvulas VVT-iW . Ou seja, numa única volta da combota consegue os tempos de admissão, compressão, expansão e exaustão. Como consequência sublinhamos a eficiência térmica e poupança de combustível. A parte negativa é que este tipo de ciclo usualmente perde prestações. A Toyota resolveu com um turbo single scroll (entrada única) para os 4 cilindros, um colector de escape refrigerado a água e na admissão, um colector trabalhado de forma a proporcionar um vortex no fluxo de ar que permite uma mistura mais homogénea com o combustível.

Muito bom na cidade, mas com alguma dificuldade notória em auto-estrada, afinal é um bloco de 1200cc que tem de carregar 1320kg, fora ocupantes. Não permite loucuras mas não deixa ninguém apeado, muito pelo contrário. O conforto e a serenidade com que enfrenta a estrada é muito boa.  Mas o peso tem custos na performance e consumos, que apesar de não serem alarmantes, em testes atingiram a casa dos 7 litros/100km. Se formos sinceros, testes significa andar, puxar, ou tentar situações menos comuns, não uma condução habitual diária. E se tivermos em conta motores recentes sem turbo, que significa menos performance e a rondar o mesmo consumo, ou superior…

Como veredicto, confesso que adorei. Não é um carro para quem procura fazer corridas, mas passear e exige conforto e fiabilidade. Excelente comportamento em estrada, sem mostrar dificuldades em curva ou irregularidades, permite brincadeiras e algumas aventuras, mesmo em fora de estrada. Sim, é arrojado, e isso é evidente em tudo, faz virar cabeças e isso é bom. Não é um carro para todos, é mais um ‘amo ou odeio’, mas é diferente e isso é indiscutível. E tudo passa ao lado.

Modelo ensaiado: Toyota C-HR 1.2 + Comfort Pack Style– Motor 4 cilindros (1197 c.c) em linha turbo; Potência 116 CV/5200 rpm; Binário 185 Nm/1500-4000 rpm; Transmissão Dianteira, caixa manual de 6 vel.; Suspensão Independente McPherson fr/independente multibraços tr.; Travagem Discos vent. fr/discos tr; Peso 1320 kgs; Mala 377 litros; Depósito 43; Vel. Máx 190 km/h; Acel. 0-100 km/h 10,9 seg.; Consumo médio 6,0 l/100 km; Emissões CO2 126 gr/km. Preço 27.550€

Outra versões disponíveis:

Active (1.2 Turbo com 116 cv,caixa manual de 6 velocidades). A partir dos 23.710€

Comfort (1.2 Turbo com 116 cv,caixa manual de 6 velocidades). A partir dos 26.110€

Hybrid Comfort (1.8 Hybrid com 122 cv Transmissão Variável Contínua Controlada Electronicamente). A partir dos 28.430€.

Hybrid Comfort + Pack Style (1.8 Hybrid com 122 cv Transmissão Variável Contínua Controlada Electronicamente). A partir dos 29.930€.

Hybrid Exclusive (1.8 Hybrid com 122 cv Transmissão Variável Contínua Controlada Electronicamente). A partir dos 31.430€.

Hybrid Exclusive + Pack Luxury (1.8 Hybrid com 122 cv Transmissão Variável Contínua Controlada Electronicamente). A partir dos 33.430€.

Óscar Rocha

Autor: Óscar Rocha

Fundador e Editor do Motores & Tecnologia
Enviar E-Mail para: Óscar Rocha

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