Faz sentido utilizar uma TV 4K como monitor?

Existe um pequeno grupo na sociedade para o qual o tamanho nunca é demais. E se nos focarmos no campo dos monitores de computador, existem vários motivos para o qual poderíamos justificar a adopção de um monitor de grandes dimensões. Se juntarmos ao aumento do tamanho do monitor o aumento da resolução, ai então entramos num campo onde provavelmente até podemos justificar a sua necessidade. Seja para jogar, para edição de vídeo ou imagem ou apenas pela inexplicável necessidade de termos mais área de ecrã, um monitor maior com mais resolução pode ser então a solução da nossa ambição.

O maior problema no entanto, reside no custo dos monitores acima de 27″ com resolução 4K. Devido à sua diminuta procura, o preço dos monitores neste nicho de mercado, tende a atingir valores proibitivos. Com a vulgarização das TVs 4K, decidimos ver se a substituição de um monitor 4K por uma TV 4k seria uma jogada viável. Optamos por definir como 40″ o tamanho mínimo de ecrã, e logicamente a resolução teria de ser 4K.

Após algumas horas de pesquisa nos vários websites de vendas, acabamos por nos decidir pela Samsung UE40KU6020, que é uma TV 4K de gama de entrada, mas que já cumpre com alguns requisitos essenciais, como o HDMI 2.0 necessário para podermos ter uma resolução de 3840×2160 a 60Hz. As primeiras TVs 4K a aparecer no mercado possuíam HDMI, mas na versão 1.4, que apenas suporta 30Hz na resolução 4K. Para uma imagem estática, ou para ver vídeo, 30Hz são suficientes, mas para conteúdo com movimento, como jogos por exemplo, 60Hz trazem uma muito melhor experiência. Acabamos por conseguir adquirir este modelo em promoção por 410€ numa loja online. Este modelo já suporta também HDCP 2.2 que é algo necessário para podermos ligar um UHD Bluray ou uma Sony PS4 e disfrutarmos de HDR (HDR emulado pois o painel é de 8 bits e não de 10 bits). Poderá ler mais sobre estas funcionalidades nos seguintes artigos: 4k-ou-FullHD e Que-saber-para-a-nova-tv.

No momento do desembalamento, e após primeiro contacto visual com a TV,  faz-nos repensar se 40″ não será exagerado para utilização como monitor. As grandes superfícies comerciais com dezenas de modelos de TV expostas, que variam dos 24″ até aos 85″, fazem com que a noção de tamanho fique diluída e tenhamos uma perspectiva errada do verdadeiro tamanho da TV. Isso pode ser constatado quando vemos a TV sem outros pontos de referência.

Nas fotos podemos ver o conteúdo da caixa. Além dos manuais e respectivos folhetos de garantia, o comando com as pilhas, cabo de alimentação, adaptadores componentes e AV, e um adaptador CI+ (Common Interface Plus) mais utilizado por alguns equipamentos de Pay-to-View Services.

Podemos na foto abaixo ter uma comparação dos tamanhos:

Da esquerda para a direita: Samsung 40″ – Monitor 27″ – Monitor 21″

Uma vez instalado na secretária, o efeito wow é imediato. Isto é enorme! Assim que o sistema operativo arranca, deparo-me que automaticamente o Windows fez um scale de tudo devido à resolução. A solução foi simples e bastou  ir às definições da resolução e baixar para o standard de 100% (ver imagens em baixo).

Uns minutos de ajustes e de habituação, e muito rapidamente percebemos que esta área de ecrã é viciante. Podemos ter três browsers em full screen lado a lado. Temos área para abrir 4 janelas com uma resolução FullHD. Na última foto em baixo temos o tamanho real da imagem embora com alguma compressão. Terá de guardar a imagem para a poder abrir na resolução de 4K.

Uma das vantagens da resolução 4K, é que um píxel em FullHD é precisamente um quadrado de 4 píxeis no tamanho 4K. Quer isto dizer que a resolução 1080p não vai distorcer a imagem, sendo que a maior parte das placas gráficas de gama média tem performance para jogar em FullHD (1080p). A experiência de jogar num ‘monitor’ destas dimensões é fantástica e tem de ser experimentada ao vivo.

Outra experiência que melhora bastante é a visualização de filmes no PC. Temos ainda a vantagem que sendo uma SmartTv temos ao nosso dispor uma série de aplicações, tendo como exemplo, o Netflix ou Amazon Prime. Se tivermos este ‘monitor’ conectado à internet temos vários canais de streaming para vermos filmes ou séries.

Medimos também o consumo energético desta Samsung. Como monitor e a utilizar as funcionalidades de SmartTV. Registamos entre 44W e 53W de consumo, o que é excelente. Tendo em conta um custo médio do KW a .016€, numa utilização de 4 horas diárias teríamos um custo de utilização entre 9€ a 12€ por ano.

Resumindo, para o nosso veredicto sobre a utilização de uma TV 4K para utilização como monitor.

No nosso ponto de vista um redondo SIM, no entanto e porque existirão sempre divergências de opiniões, temos de validar os seguintes pontos:

  • Conforto na visualização – Talvez o mais polémico ponto de todos. Devido à distancia normal de utilização de um monitor, 40″ faz com que não consigamos ter acesso a todo o ecrã de uma só vez. Aconteceu-me ficar perdido à procura de informação num jogo de estratégia em que essa informação está espalhada pelos cantos do ecrã. Em ambiente de Desktop acaba por não ser relevante até porque nos centramos na janela activa que estamos a usar. 
  • Área de ecrã – Temos 3840 x 2160 píxeis de área para utilizar, o que significa mais de 8 milhões de píxeis. Para quem trabalhar com folhas de cálculo, processamento de texto, helpdesk, ou apenas que precise de ter dezenas de aplicações abertas ao mesmo tempo é o ideal.
  • Calibração de cor – Para profissionais de edição de imagem ou vídeo esta TV poderá não satisfazer as necessidades. Não sendo um produto focado para esse tipo de utilização a informação sobre a cobertura dos formatos de cor é inexistente. Além do mais as TVs tendem a ter parameterizações de cor diferentes dos monitores. As TVs de gama acima que usem painéis de 10Bits poderão ser mais ajustadas para esse efeito. 
  • Tamanho físico da TV – Temos de ter espaço na secretária. Isto é uma TV de tamanho razoável, mas é enorme como monitor. O facto de ser extremamente fina permite que a possamos afastar até ao limite da secretária.
  • Tipo de utilização – Para quem vê muitos vídeos, filmes ou séries é um absoluto must, ou mesmo para alguns jogadores mas, atenção à capacidade gráfica da placa. É preciso uma placa de topo para poder suportar jogos na resolução nativa de 4K. Para os gamers mais sérios que querem os 144Hz como frequência de varrimento estão com azar. Esta TV faz 60Hz na resolução 4K (se a ligação for HDMI 2.0, senão somente faz 30Hz), e faz 60Hz na resolução 1080p. Existem modelos  de TV no entanto que conseguem fazer 120Hz na resolução 1080p. 
  • Custo – 410€ por uma TV 4K com esta qualidade de imagem? Um monitor de PC de 40″ começa nos 1000€ ou mais. No entanto um monitor de PC vem com interfaces DisplayPort e DVI, inexistentes nesta TV.
  • TV Tuner – Podemos ligar este “monitor” ao circuito de TV e termos acesso à grelha de canais televisivos.

No meu caso pessoal, esta TV Samsung ficou a substituir o meu antigo monitor de 27″ e já não tenciono voltar a trocar.

A linha que separa um monitor de uma TV está cada vez mais ténue, e se há uns anos as primeiras TVs LCD eram péssimos monitores, hoje em dia isso já não acontece. A definição é fantástica e principalmente, o texto é perfeitamente nítido.

Juntando uma imagem que me surpreendeu em todos os aspectos, uma uniformidade de luz muito boa, uma excelente reprodução dos pretos (fruto de utilizar um painél VA em vez de um IPS), e um preço extremamente atractivo, e temos todos os ingredientes necessários para podermos chamar monitor a esta TV.

Hugo Marques

Autor: Hugo Marques

Fundador e Editor do Motores & Tecnologia
Enviar E-Mail para: Hugo Marques

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