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Às voltas com o novo híbrido, o Hyundai iONIQ

A Hyundai cedeu-nos para teste o seu novo modelo iONIQ, o novo modelo da marca inserido na gama dos híbridos, um segmento tão em voga como em pleno crescimento.

Este iONIQ é diferente, e isso não é mau, é apelativo. A marca tem vindo a mudar a imagem, não só própria, com mais classe e argumentos, como dos seus próprios veículos. Este iONIQ é um desses casos. As linhas, e neste caso a cor branca ajudou muito, deixam destacar imensos pormenores, seja na frente com uma grelha imensa que se estende até aos faróis dianteiros, ou a parte negra que envolve os faróis diurnos. Os faróis principais destacam-se pela luminosidade, pelo desenho e até pela bela lista led que acesa cria um efeito estético muito bom, além de  vincar a personalidade. Sob a  grelha um pequeno ‘avental’, também a negro, que ajuda a dar algo mais de agressividade.

A traseira é algo alta, com os farolins no topo da porta da mala, unidos pelo que se assemelha a um aileron, asa,  dissimulado no vidro. No caso vidros, sendo que corta o óculo em dois. Sim, confesso que estranhei ao início, mas também confirmo que me deu um ‘jeitaço’, seja quando veículos com faróis mal alinhados me seguiam, ou em máximos se aproximavam. Não sei se é o intuito, mas afirmo que fica exatamente a tapar o excesso de luminosidade do carro que nos persegue. E ajuda.

 

Bem confesso que tinha alguma relutância em mudar o ‘chip’. O nosso é sempre o nosso, e as acelerações, o conforto, o comportamento ou a previsibilidade com tudo o que se passa na estrada é um hábito. E confesso que não sou um ‘simples’ condutor, mais apelidado de pé pesado. Necessitava de conhecer o carro, as suas limitações ou não, o conforto, os comandos, a resposta e sim, o seu comportamento. Existem vários fatores a ter em conta. Começando pelas suas dimensões, este iONIQ é generoso e suficiente para comportar 5 adultos, mercê dos seus 4,4 m de comprimento e de uma distância entre eixos de 2700 mm. Preza assim a imperativa habitabilidade, ou a capacidade de bagageira, que consegue uns bons 550 litros. Como? O tamanho engana, e se não parece ser enorme por fora, é por dentro. Este novo iONIQ utiliza a nova plataforma exclusiva para veículos híbridos do Grupo Hyundai, uma sui generis plataforma que recorre a um método diferente de fabrico. Utiliza alumínio e aço ou mesmo adesivo. Sim, leu bem, um adesivo para unir algumas peças que formam a estrutura, um método que substitui a soldadura habitual e que não descura a resistência na estrutura. Este método permite uma redução substancial do peso total (1477 kg), sem sacrificar a rigidez (pontuação máxima de 5 estrelas no teste de sistema de segurança EURO NCAP).

Já o comportamento, este iONIQ levou-me a não querer acelerar, mas a conhecer o veículo e desfrutar das viagens. Culpa do conforto, a primeira impressão, mesmo em bancos de tecido como no veículo ensaiado onde só faltava um pouco de apoio lateral, e convida a rolar, passear, desfrutar de cada momento da viagem em silêncio. E isso é cativante, além de que a simplicidade com que tudo funciona parece um conceito, ou filosofia da marca. Muito e no sítio certo. Os comandos, a visibilidade ou a funcionalidade está ali, perto da mão e do controlo, levando a desfrutar, e esquecendo que estamos num carro alheio. Até a nossa ‘cara metade’, o indispensável smartphone, podemos emparelhar em três clics e dois minutos, com acesso à lista telefónica e músicas em modo multimédia. Tudo simples, e são estes pormenores que importam.

Todo o controlo é feito na consola central, tão simples como moderna, com o ecrã táctil no meio das condutas de ar, e sob este, os controlos práticos. Confesso ser um apreciador do simples, porque tem de ser simples e prático para não tirar a importância do que fazemos num veículo, conduzir. Deve ser esta a principal valência e segurança. Mais abaixo os controlos do ar condicionado bi-zona, e uma zona posterior onde está situada uma ficha de 12 volts, uma porta USB para carregamento de dispositivos, e a base, uma zona que permite o carregamento por wireless, sem fios para os smartphones compatíveis.

E por fim descemos até à manete das mudanças, o controlo sobre a caixa de seis velocidades, e modos de condução. Somente dois modos, e apesar de não haver ali um botão ou indicação escrita, é notório o modo em que nos deslocamos. Ao engrenar qualquer mudança, o painel de instrumentos, ou neste caso o ecrã que o substitui, ilumina-se e dispõe todas as informações num discreto branco e azul, o modo ECO. A realidade é que a resposta da caixa é digna, fruto da aposta da Hyundai em usar uma caixa de velocidades de dupla embraiagem com seis relações, novidade no segmento, suficientes e hábeis para altas e baixas rotações, estrada ou meio citadinos. Este modo automático permite rolar com extrema suavidade, não que não possamos acelerar. 

Mas essa é a razão do modo sequencial. Ao puxar a manete para o lado esquerdo, no sentido do condutor e para a posição + e -, significa que mudamos para modo Sport e assumimos o controlo sobre cada passagem de caixa, e por isso um modo mais desportivo. Este modo, muito ao jeito de quem gosta de ter controlo e sentir as reduções, responde de imediato às nossas solicitações. É outro estilo, e dá outra vida a este iONIQ. As mudanças sentidas tornam-se visíveis no quadrante, que se altera para um laranja/vermelho mais ao género desportista, e ao invés de informação sobre autonomia e velocímetro, passamos a um conta rotações com zona de corte bem vincada, e velocidade digital ao centro. Só falta ouvir algo… e isso é quase impercetível. Mas é certo que ganha outra resposta, mais ávida pelas acelerações e com alguma diversão a apimentar o iONIQ.

Esta sua destreza para os meios deve-se em muito à conjugação da caixa com o motor de combustão 1.6 GDi com 105 CV de potência, e o motor síncrono de íman permanente de 32 kW. Juntos conseguem um total combinado de 104 kW de potência, o equivalente a 141 CV, e um binário máximo de 265 nm. Estes valores permitem acelerar dos 0 a 100 km/h em 10,8 segundos e atingir 185 km/h ao iONIQ. E o mais importante, e a razão destes novos híbridos, o consumo: uma média anunciada de 3,9 l/100 km e emissões combinadas de CO2 de 92 g/km, sendo que o melhor que consegui foi 4,9l. Mais um litro? Sim, mas reconheço que a utilização em teste é ‘muito variada’.

O sistema recorre a uma bateria de iões de lítio, com uma capacidade de 1,56 kWh, situada sob os bancos traseiros para favorecer uma distribuição equitativa do peso por eixo sem prejudicar o espaço interior. E para nota, e para os mais temerosos com este tipo de veículo, a bateria possui uma garantia de 8 anos ou 200 mil km. 

Quase que faltava escrever sobre os avisos e travagens que nos podem surpreender. Bem, é necessário dois fatores: distração ou agressividade. Este iONIQ usa (muita) tecnologia, os mais recentes sistemas para apoio à condução e  segurança ativa e passiva dos ocupantes. Inclui um sistema de informação e manutenção na faixa de rodagem LKAS, cruise control inteligente SCC, travagem autónoma de emergência AEB e até um sistema de monitorização de pressão de pneus TPMS, que vai informando em loco sobre a pressão de cada pneu no quadrante.

Claro que não é perfeito, mas pouco se pode apontar. Em modo ‘obrigatório’ de colocar defeitos, confesso que as jantes ficam um pouco aquém das restantes linhas, e sim, parecem ser de um mero híbrido… e este iONIQ é, mas não se assemelha a um. 

O iONIQ Hybrid está proposto no mercado nacional a um preço de €33.056,13 , com uma garantia geral de 5 anos sem limite de quilómetros.

Para complementar esta gama iONIC, existe ainda duas variantes, uma 100% elétrica, que se diferencia pela grelha, e o plug-in hybrid. O IONIQ é o primeiro automóvel no mercado mundial com três motorizações elétricas assentes na mesma carroçaria. E confirma a estratégia e aposta da marca Hyundai no lançamento de 14 veículos ecológicos até 2020. 

 

Óscar Rocha

Autor: Óscar Rocha

Fundador e Editor do Motores & Tecnologia
Enviar E-Mail para: Óscar Rocha

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