Opel Crossland X, citadino e aventureiro

Tivemos um Crosskand X, com cortesia Opel, para ‘brincar’, passear e testar durante alguns dias. Este modelo intermédio surge com a nova designação CUV, ou Crossover Utility Vehicle, não é mais que um crossover citadino que surpreendeu logo pela quantidade de extras que possui. A versão ensaiada é um full extras, o que nos mimou desde o conforto, utilidades e funcionalidades, seja em prol do conforto e lazer, seja na ajuda à condução. O modelo em causa, o Crossland X, vinha equipado com uma das novas unidades a gasolina, um 1.2 Turbo ECOTEC na versão Innovation. Mas começando pelo modelo e conceito, este Crossland X é o primeiro modelo sobre a égide do grupo PSA, marca que agora detém e parece apostar na evolução da Opel, o que acrescenta responsabilidade. Este modelo retrata essa aposta.

A forma e alguns pormenores lembram outro modelo da marca, o pequeno Adam, seja nas grelhas frontais que são uma característica Opel com a ‘assinatura’ em forma de asa ou nos frisos cromados no tejadilho, que também surge pintado de cor diferente da restante carroçaria. Mas fora as semelhanças, este Crossland X destaca-se pelas suas dimensões, é alto, isso é indiscutível, e com uma volumetria um pouco estreita, mas suficiente para espaço interior. Há espaço mais que suficiente, seja no banco do condutor, passageiros ou no banco de trás. E aqui a visão é privilegiada, face ao tecto panorâmico da viatura que ensaiamos. A sensação e visão é fantástica, embora confesse que o calor gerado pela superfície vidrada leva a um cuidado na altura de estacionar, ou em movimento, optando por fechar a cobertura do tecto nos dias mais solarengos. Mas o que testamos primordialmente foi a condução, motivo destas palavras, e o que encontramos foi ergonomia. A posição correta e orientada para o condutor, com a disposição de comandos, avisadores e indicadores de velocidade por exemplo, tudo no local certo. Ou o que dizer da qualidade, sensação de robustez e boa construção evidenciada em pormenores, alguns bem interessantes e espalhados pelo tablier, portas ou consola, incluindo aplicações cromadas ou mesmo luzes.

Mas o interessante, e ponto fulcral é mover, andar, circular pelos mais diferentes ambientes. O local privilegiado para circular com este crossover é a cidade, que parece não ter segredos para o Crossland X, local onde sentimos mais as aptidões deste modelo. A elevada posição de condução concede ao condutor uma enorme visibilidade, seja sobre toda a estrada ou ao redor, graças a pilares bem colocados e mínimos, sem comprometer a rigidez do chassis. A altura ao solo permite rolar indiferente ao piso, e superar lombas, irregularidades ou mesmo passeios. A boa brecagem, tão útil no trânsito e em manobras, é ajudada pela leveza da direcção. Confesso que, talvez por falta de hábito, a extrema leveza não me transmite o carro, e se é deveras útil em manobras, incomoda-me em velocidades mais elevadas e pisos sinuosos. 

Para compensar, este Crossland oferece muita ajuda à condução e segurança. O sistema próprio de segurança, ou segurança activa, que surge como um auxílio à condução, incluindo uma câmara frontal e uma panóplia de sensores, que lhe permite ler a estrada e faz avisos, inúmeros, como o aviso de ângulo cego, o alerta de colisão eminente com detecção de peões, o sistema de travagem de emergência e um sistema de detecção de fadiga do condutor. Não finda por esta palavras, continuando a avisar quando pisamos ou passamos a linha que separa as faixas de rodagem, bermas, quando nos aproximamos do veículo à nossa frente, ou mesmo da necessidade de passar de caixa, mudança… A segurança tem um papel fundamental neste Opel e toda a informação inerente. Não só avisa se nos encontramos no rumo certo, mas também da velocidade, com indicação sobre a velocidade apropriada à localidade ou via, e a velocidade a que circulamos, e em modo duplo. Existe a informação no tradicional manómetro, envolta em toda a restante informação sobre consumos,  quilómetros, etc, e ainda projectada no mini ecrã sob o tablier, que se eleva à altura dos olhos do condutor, e onde surte a indicação bem visível sem obstruir, que permite estar sempre com os olhos na estrada (o ecrã é transparente) sem distracções maiores. 

Nota muito positiva para o sistema de entretenimento. Circular ou viajar exige ‘obrigatoriamente’ de algum comodismo, acesso e muita funcionalidade. O novo Crossland tem tudo, o que significa a mais recente geração do sistema IntelliLink, compatível com Apple Car Play e Android Auto, na forma de um ecrã táctil de 8 polegadas, que alia da melhor forma a simplicidade com a excelente funcionalidade e facilidade de execução, mesmo no acesso às preferências e toda a gestão. A facilidade de emparelhamento com o smartphone, com acesso a contactos e afins, a estações de rádio que surgem sob a forma de um ícone gigante (identificado com o posto) que ajudam de sobremaneira a escolher, a parte de navegação ou mesmo a internet. É verdade, este crossover está equipado com a tecnologia própria Opel OnStar, que transformam este Opel num hotspot ambulante. Nota prévia que os dados são partilhados, e cabe ao condutor, ou a quem é devido, a gestão de dados.

Ainda neste ecrã, e algo que adorei utilizar, foi fazer a marcha atrás. Ou melhor, o sistema usado e tão fidedigno com que a Opel dotou este Crossland X, um misto de sensores e câmaras que facilitam todas as manobras, e incrementa a segurança. O ecrã multimédia passa a dividir-se, e apresenta em grande formato a vista traseira com as habituais marcações para ajudar a estacionar, e ao lado, uma versão 360º com vista desde do topo do Crossland X. Desta forma temos total visibilidade de todos os cantos e dimensões deste Opel, que ajuda de sobremaneira ao estacionamento ou manobras. Mesmo a sair de um bom estacionamento em L, ou em espinha, porque sendo uma lente grande angular e estando colocada mesmo no final do veículo, permite uma visibilidade ímpar que quase elimina a necessidade de olhar nos espelhos. A visão do topo permite ver tudo em redor do veículo, e a própria disposição para com o local.

Voltando ao modo de condução, e ao pára-arranca e os congestionamentos da cidade, experimentei o novo motor e sistema de arranque da marca para resolver eventuais problemas a nível de consumo. Este Opel utiliza o motor ECOTEC Innovation, um bloco de 1200cc com turbo que consegue uma potência de 110cv, valor que seria impensável num bloco pequeno uns quantos anos atrás. Este é pequeno, potente e económico, mercê de todo o conjunto acoplado, seja a caixa de cinco relações ou o sistema de pára-arranca, que desliga sempre que paramos alguns segundos, e isso traduz-se em poupar. Confesso que sempre me senti incauto destes sistemas mas, aqui a resposta da embraiagem do Crossland surpreende, porque quando queremos engrenar a mudança e accionamos, minto, parece que ainda vamos a encostar o pé, a resposta é tão rápida e automática a reiniciar o motor. Esta resposta audaz não proporciona embaraços nos semáforos ou no pára-arranque, tamanha a eficiência. Nas informações facultadas, este Opel seria capaz de um consumo de 5,8l em ambiente urbano, ou 4,3l em autoestrada. Isto são valores facultados, e confesso não estar muito perto do que experimentamos. Mas foram somente três dias, e testar inclui acelerações, ambientes urbanos em maioria, mais aceleração, mais testes, mais pára-arranca e… qualquer coisa como quase 6,9 litros. Ficou sim vincada a elasticidade do motor, que nos surpreendeu na vivacidade com que sobre de rotação, e quando chega às 3000 rpm é uma fera domesticada. 

E isso fica vincado nas incursões pela autoestrada que não deixaram nada a desejar, mercê da boa resposta do motor, que surpreendeu. Não sendo um portento de potência, é elástico e sobe bem de rotação, mais quando pisamos e sentimos o turbo entrar em acção por volta das 3000rpm. Assume a responsabilidade e é capaz de boas tiradas, mesmo em subida. Tendo em conta todo o peso e dimensões, surpreende. E gostamos. Como outras informações relativas a este bloco 1.2 Turbo ECOTEC Inovation, salientamos o valor anunciado de 123-121g/km CO2.

Aproveitando a fase da viagem, foi obrigatório experimentar a bagageira, e a sua capacidade de 410 litros. É mais que suficiente para muita coisa, e excede em 54 litros o seu ‘irmão’ mais pequeno, o Opel Mokka X, tornando-se uma referência e das maiores da sua classe. Esta possui versatilidade em diferentes modos, com a possibilidade de se puder nivelar o piso em duas alturas distintas, rebater os bancos traseiros ou um ainda um opcional sistema de carris longitudinais nos bancos traseiros, conseguindo a proeza de chegar aos 520 litros. Mas nota que, neste último processo limita-se o espaço das pernas traseiras para os passageiros dos bancos traseiros.

Para já a gama de motores na fase de lançamento do Crossland X em Portugal é composta por unidades de três cilindros a gasolina com potências entre os 81 cv, 110 cv ou 130 cv. Já as unidades a diesel contam com blocos de quatro cilindros de 1.6 de cilindrada, com sistema de tratamento de gases SCR, injecção de AdBlue, capazes de atingir uma potência de 99 cv ou 120 cv. As transmissões também possuem diversidade, com caixas de cinco ou seis velocidades manuais, ou uma automática de seis velocidades.

Os valores divulgados começam nos 17.980 euros no modelo a gasolina 1.2 Edition, atingindo os 21.630 euros na versão de topo, ainda a gasolina, 1.2 Turbo Innovation. Já os valores das motorizações a gasóleo iniciam-se nos 22.830 euros e chegam aos 24.980 para a versão Turbo D Innovation.

Óscar Rocha

Autor: Óscar Rocha

Fundador e Editor do Motores & Tecnologia
Enviar E-Mail para: Óscar Rocha

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