Review à polivalente Sony A6300

O mundo fotográfico é para mim como uma forma de expressão, um modo único de mostrar o dia a dia, locais, pormenores que nos importam ou pessoas ímpares. Mais importante, é talvez a única maneira de substituir palavras, afinal uma imagem vale por mil palavras. 

A realidade é que a mesma imagem tem para cada pessoa um propósito, sentido ou significado. E a arte da fotografia consiste em transmitir algo único e importante com uma imagem. Mas para a captar, existe a necessidade de ter equipamento, vulgo máquina fotográfica. Hoje o mundo da fotografia sofreu irremediáveis contornos, e rombos, causados pela demasiada oferta ou por esse objecto do ‘diabo’ chamado de smartphone que criou milhões de novos fotógrafos. Mas a verdade da questão é que muitos desses smartphones são verdadeiras máquinas fotográficas, com aptidões que envergonharam, e continuam a envergonhar, muitas máquinas dedicadas à  fotografia. O resultado foi uma quebra em vendas em algumas gamas, substituição de outras, mas mais importante, evolução. 

 

O mundo fotográfico e toda a indústria que simboliza foi obrigado a reduzir gamas, e desdobrar-se em desenvolvimento e na obrigatória procura pela qualidade diferenciadora. Surgiram ofertas e variantes, dando forma a máquinas e conjuntos aptos a situações ou gostos, tendo a qualidade da fotografia como a importância vital. 

A Sony é exemplo disso. Não é novidade para ninguém que a marca aposta no mercado da fotografia, que passou a dominar no campo dos sensores e conquista posições de mercado no segmento das máquinas fotográficas. A sua ascenção foi tão meteórica quanto consistente, disposta por diferentes máquinas e alguns novos conceitos que se afirmaram no mercado. Exemplo disso são máquinas para sempre na ribalta, como as fenomenais RX1, a polivalente RX10, as mais profissionais full frame A7 e a A99, a ‘rainha’. A apreensão sobre a marca deu lugar à surpresa, que por sua vez se rendeu à qualidade. 

Hoje falamos sobre outra das máquinas da casa nipónica, a Sony A6300, a nova ‘pequena’ japonesa. Inserida na gama das polivalentes Alpha, é a evolução clara da anterior A6000 e assume-se como uma máquina pronta para todo o serviço. O corpo é novo e pequeno o suficiente para colocar num bolso de casaco ou facilmente numa mala, com objecção apenas para o tipo de lente que iremos usar. O corpo, elaborado em magnésio, é tão robusto quanto bem delineado, fácil e ergonómico para manusear… como deve ser. A pega pequena assume a responsabilidade do grip e segurança a mexer em todos os controlos, que convenhamos, bem incrustados e colocados. O LCD traseiro assume quase a totalidade do corpo, é basculante e possui a ‘novidade’ de não ser touch (o que até gosto). Poderia dar jeito nas configurações para captar, ou na procura e escolha de foco directamente por toque no ecrã, mas complica demasiado as situações, e fazem perder momentos, quando tocamos com o nariz ao olhar para o viewfinder. E eu dispenso. O viewfinder e a sua inclusão neste corpo pequeno ganha importância na altura de ajeitarmos, delinearmos o que queremos captar. Além de que todos os botões para configurações estão facilmente dispostos e ao alcance dos dedos.

Para captar existe um conjunto de hardware próprio e hábil, com a maior responsabilidade a ficar a cargo do sensor CMOS EXMOR do tipo APS-C de 24 megapixels. O conjunto ainda dispõe de um processador BIONZ X, que combina a subtileza com a  potência necessária para qualquer serviço. E isso resume-se a processar toda a informação e detalhe correspondentes a uns incríveis 425 pontos de foco, graças ao uso do sistema 4D Focus combinado com o sistema Fast Hybrid AF, tudo numa fracção de segundo, 0,05 segundos para sermos mais exactos. Acreditamos ser mais um recorde, tamanha é a velocidade foco versus resposta do obturador! Existem mais factores relevantes nesta ‘pequena maravilha’, caso dos valores ISO que possuem um rácio entre os 100-25600 (capaz de atingir os 51200), ou a captação contínua AF/AE até 11 fps ou até 8 fps, dependendo do modo.

Ponto forte, e diferenciador, está na capacidade de fazer vídeo 4K. A conjuntura Sony é exímia em providenciar não apenas capacidades no campo da fotografia, mas também no vídeo durante largos minutos, e sem risco de perder o processador. E o 4K é exigente. A A6300 faz a leitura equivalente a 6K, no que designa por leitura total de píxeis sem binning, de modo a poder condensar e alcançar o melhor da resolução 4K. A ajudar e no intuito de optimização do vídeo, e na questão sonora, existe a possibilidade de adaptar microfone externo no topo.

Fotos com a câmara

Como outros pontos salientamos a entrada bem disposta, e com tampa, para a entrada para microfone, micro-HDMI, USB (que serve também para carregar) e a conectividade wifi e NFC, que permitem a partilha ou controlo sem fios.

Esta experiência nipónica também realçou a evolução da gama de lentes. No caso a experiência da A6300 deu-se com uma lente Sony SEL 3,5-6,3/24-240 OSS E-Mount, ‘grande’ no sentido figurado e em capacidades. Não é uma lente para levar no dia a dia, mas propícia a momentos e locais. A distância focal 24-240mm, que equivale a um zoom de 10x, permite-lhe quase tudo, desde perspectivas mais dinâmicas ou paisagens, como maximizar pormenores e objectos. Vale-se da polivalência do zoom e da amplitude da abertura, f/3.5 – 6.3, para completar trabalhos que exigem diferentes trocas. Uma só lente que maximiza a eficiência, e minimiza o transtorno de carregar, ou a necessária troca de lentes.

Gostamos bastante de todo o funcionamento e ‘suavidade’ dos seus componentes, cinco elementos asféricos e um elemento de vidro ED e 7 lâminas no diafragma. A ausência de ruído ou dificuldade de manuseio em toda a faixa do zoom é notória, e ajuda em ambas as situações, a captar imagens ou em vídeo.

Em suma, este conjunto realça a fotografia e sobeja no vídeo, e assume-se como um dos melhores equipamentos, senão o melhor da gama. Peca quando não zelamos e nos deixamos ‘levar’ pelo ecrã, e abusamos dos valores ISO, que acima dos 2000 pode provocar maior densidade de grão em imagens de zonas onde a luminosidade não abunda. Mas é em situações que podem mesmo ‘envergonhar’ as full frame. Na gíria é mais do que competente. 

Óscar Rocha

Autor: Óscar Rocha

Fundador e Editor do Motores & Tecnologia
Enviar E-Mail para: Óscar Rocha

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