Trinta dias com o HUAWEI P20, o mestre da fotografia. Mas o que o difere do P10?

Um mês de Huawei P20 pode ser muito, ou pouco, mas é suficiente para tirar algumas notas. O novo smartphone da chinesa Huawei passou a estar no meu quotidiano e sim, arrisco a dizer que adoro, mas há coisas que posso desgostar. Mais quando mudamos de um modelo para outro, no caso da anterior geração de ‘P’. A mudança clara é mais uma evolução natural, e se durante 11 meses dispus de um Huawei P10, heis que nos chega o ‘normal’ P20. O que muda e o que vale este P20?

Respondendo ao que muda, tudo, ou a sua maioria. Não muda os princípios da marca, que continua a lançar mais uma ‘acha na fogueira’ cada vez que anuncia um smartphone. A gama P tem sido pródiga no campo, e heis que em 2018 surge pioneira com três câmaras… ups, este é o P20 dito ‘normal’ e não dispõe dessa feature, aquela expressão que agora parece pertencer ao dicionário português. Não tem essa característica, mas não fica atrás e muda, anuncia muito mais características.  A mudança mais ouvida é o próprio nome. Foi anunciado prematuramente e acabou por não ser novidade, mas a razão fica incólume. Uma dezena de números esquecidos, e heis que este novo Huawei salta de P10 para P20, pela diferença, pela salto qualitativo em prestações. 

O design do equipamento, que devia ser o primeiro tema, passou a segundo. Mas aqui existe a diferença total do novo Huawei P20 para o P10, bem visível. O corpo de metal deu lugar a duas faces de vidro espelhado, bem brilhante. Existe aqui uma elegante fusão entre o bezel metálico e o vidro das faces, tudo numa forma ergonómica que consegue esconder as dimensões do conjunto. Eu senti a diferença, confesso, devido à mudança de dispositivos e estar habituado às formas suaves e arredondadas que tão bem assentam na mão do Huawei P10.

A dupla câmara também muda e surge numa nova disposição (não esquecer que falamos da versão P20), que agora surge numa posição vertical, que parece seguir numa linha imaginária que começa na base com a própria marca, depois a sigla LEICA (e modelo das lentes) que potenciam o P20, seguida do flash e então as câmaras. E estas salientes, altas, fora do corpo. Confesso que não consigo ser defensor deste pormenor, mais quando as semelhanças são demais evidentes com a marca da maçã, seja na parte saliente seja no formato. Não ficam mal no conjunto, e sei que a razão para o fato deve-se a outra mais valia deste smartphone, mas podiam adornar de modo diferente? Ou manter uma semelhança com os anteriores, que se evidenciavam pela lista nas câmaras? 

Depois existem as cores, e se o negro é tão discreto quanto elegante e casual, o azul muda tudo. É arrojado, é vivo, é brilhante e adorei. Possui um vibrante tom duplo, como que tivesse vida… e é fantástico, e nada discreto.

E a funcionar? Bem, ao pressionar o botão ON/OFFsurge outra diferença, a própria identificação marca. O marca Huawei passa a figurar sozinho, relegando o utilizador apenas para o que interessa, o nome. A marca aposta tudo no nome, e se já tem reconhecido o seu poderio tecnológico, afirma com a evidência da marca. 

Quando o ecrã inicial surge figuram outras evidências, e para além do tão badalado notch, a monocelha no topo, existe a verdadeira dimensão do ecrã e o aproveitamento que a marca conseguiu da maioria do dispositivo. Em comparação com o antecessor P10 podemos dizer que é enorme. As dimensões de ambos traduzem-se numa diferença de 3,8 mm em altura, e 1,5mm em largura, e se parece pouco, a realidade é que a ‘magia’ está na área total aproveitada pelo ecrã, que acrescenta aproximadamente 200mm, ou 2cm) de área de ecrã. Ou seja, o ecrã cresceu ‘apenas’ 3,8mm mas ganhou 200mm de ecrã. Aqui resume-se a design versus aproveitamento da maior área possível, notório em todo o contorno mínimo do ecrã, inclusive na zona mais baixa onde se situa o sensor de impressões digitais. Mesmo ‘este’ sofreu de emagrecimento em virtude do ecrã. Mas não perdeu nenhuma faculdade, está exímio, desculpem os outros, mas é capaz de ser o mais rápido experimentado até à data. E centrando esses fatos, existe os movimentos que permitem ocultar aqueles botões no ecrã habituais dos Androids. Manter pressionado, deslizar para cima ou para o lado permite apagar, voltar ou fechar aplicações abertas. E tudo fica limpo no ecrã. Nota, o Huawei P10 também tem estas características.

E como falei nas aplicações, tenho de falar no ambiente, no EMUI. O P20 vem já com o mais recente Android, a versão 8.1, mas com a habitual interface da Huawei, a EMUI 8.1.0., sendo que o anterior P10 ainda corria o Android 7 e respetivo EMUI. Muda? Algumas coisas, e dou aqui um elogio à marca por, logo após ter sido apresentado, ter lançado atualizações ao seu EMUI para corrigir falhas com aplicações. Porquê? porque o mercado ainda ‘respira’ o Android 7 e muitas aplicações ainda não estão optimizadas. Aconteceu algumas não funcionarem de modo correto, mas foi logo corrigido em update. Já no P10 tudo funcionava e tudo era muito homogéneo e ‘clean’. Dou vantagem aqui ao P10, não por funcionar melhor, mas sou ilustrador (também) e dou alguma atenção a pormenores, que este EMUI perde. Mantém a simbiose perfeita entre widgets do Android e os ícones e funcionalidade muito parecidas com iOS, o melhor de dois mundos, mas noto alguma disparidade no design dos ícones. Uns redondos, outros quadrados de arestas redondas, e alguns com sombra, outros sem, e ainda uns usam fotografia para identificar no mesmo tema onde se junta desenhos. Não é mau, mas parece-me haver alguma falta de consenso. Ponto para o P10.

Perde no design das aplicações, mas ganha, e muito, na usabilidade e na maneira inteligente que usa. Ao abrir uma aplicação tem a opção (assinalada no fundo) de usar em full screen, fazendo uso do ecrã total. Ou o notch, que pode ser desabilitado… mentira… mas pode ser mascarado. Existe a opção nas preferências de ‘criar’ uma barra escura que esconde o notch. Continua a mostrar notificações e indicações de bateria ou rede, etc, mas num ambiente escuro. Uma solução para quem não aprecia o notch.

A fotografia é a parte ‘forte’, ou uma das, deste smartphone. Existe vários pontos a reter, como a dupla câmara de ambos, as lentes LEICA em ambos, e os modos de fotografia. O HUawei P10 foi a afirmação que se seguiu ao P9, o primeiro com lentes LEICA. Afirmou-se e trouxe modos, cores, qualidade. O que muda no P20? Mantêm a dupla câmara com um sensor RGB e outro monocromático, mas as lentes mudam de SUMMARIT para lentes SUMMILUX. Mudam ‘pormenores’. Os novos sensores possuem 12 megapixels no caso do RGB, e 20mp no monocromático, mas agora acompanhados de aberturas f/1,8 e f/1,6. O P10, e para nota, surpreendeu à data de lançamento com as suas características peculiares para fotografia, mas o P20 conseguiu incrementar esse feito, e de modo exponencial. A nova abertura permite uma melhoria em contrastes e principalmente em zonas de baixa luminosidade, mas existe um fator determinante na parte da fotografia, e em tudo o que este smartphone faz: o processador.

Se a parte fotográfica deste smartphone consegue ficar acima da concorrência, a parte inteligente é utilizar o próprio processador para aprimorar e escolher, se quiser-mos, os modos, utilizando ele próprio a inteligência artificial. Utiliza o mesmo processador já utilizado no Huawei Mate 10 PRO, mas a marca conseguiu um aumento de performance em 20% (anunciados). Ou seja, este processador mete o cunho em tudo, e seja na performance, utilização de bateria e mesmo na fotografia. Apontar para um objeto, paisagem, animal, pessoa ou face torna-se normal, e não se precisa de alterar parâmetros. Aproximadamente 1 segundo e verá surgir no ecrã a indicação da configuração que este P20 assume. Ou seja, se apontarmos para um documento, uma paisagem, um pasto verde, uma pessoa, comida ou animais, ele irá reconhecer e ajusta o modo preferencial para o fato. E até consegue diferenciar alguns animais. É um experiência trocar de objectivo fotográfico para ver como reage, e melhor, a velocidade a que reage e se ajusta. Tudo é perceptível no ecrã, seja nas cores, na indicação escrita que surge do modo, e na fotografia final. A experimentar. O P10 é muito bom mas… não está a este nível. 

Outra das valências da câmara é nos modos, e existem dois particulares que me entusiasmaram: o modo ‘Noite’ e o ‘Câmara Lenta’. O ‘Noite’ é muito acima de tudo. Basta pressionar o botão e ele ‘usa’ 6 segundos para captar imagens, e mais imagens, em diferentes composições e exposição, sobrepondo-as de modo a conseguir a mais nítida e clara imagem. E nota,  impressiona mesmo por seres capaz de ‘ver’ e realçar cenas que os nosso olhos no escuro não vêm, e melhor, focadas… mesmo sem uso de um tripé, tão necessário quando se utiliza, ou utilizava, o modo Noite. Já no vídeo, existem três diferentes opções: 120, 240 ou 960 frames por segundo. Significa que podemos gravar câmara lenta em modo FullHD a 120fps, ou HD a 240 ou 960fps.

Para quem gosta de brincar com a iluminação da foto, vai gostar certamente do modo 3D. Este modo fotográfico reconhece o formato do ‘modelo’ e após tirar foto, faz o recorte em modo tipo PNG, transparente, e inclui uma esfera de iluminação. Basta arrastá-la pelo ecrã para a zona que pretendemos iluminar, e as mudanças são bem visíveis. Usa um filtro ao estilo Photoshop, efeito ‘bevel and emboss’ (chanfro e entalhe em PT) que cria como que uma forma 3D em redor da forma, dando dimensão. Aqui pode ser manipulada com o simples arrastar do dedo, e acrescenta iluminação. E é capaz de surpreender. 

A maior razão para a diferença entre ‘irmãos’ está no processador, o KIRIN 970. Foi apresentado ainda antes de estar ‘dentro’ de um smartphone, estreia essa no Huawei Mate 10 PRO, e é um processador de oito núcleos (4x A73 a 2,36 GHz 4x A53 a 1,84 GHz) que inclui a ‘tal’ unidade NPU, a responsável por toda a AI, inteligência artificial, e aprendizagem deste smartphone. É um processador sui generis que, apesar de partilhar algumas especificações do KIRIN 960 que equipa o P10, excede-se nos pormenores. Na realidade mantém a os mesmos 2,36 GHz para os núcleos A73 e 1,84 GHz para os núcleos A53. Existe sim uma mudança drástica na configuração da GPU, já que vemos a primeira implementação de uma Mali G72 de 12 clusters, o que significa um aumento de 50% realtivamente à G71-MP8 da Kirin 960. Mas as especificações, e diferenças, deste 970 continuam com o modem LTE de categoria 18/13 que suporta velocidades de download de até 1200Mbps, e, sendo que o P10 utilizava um modem LTE de categoria 12/13, significa que duplica a capacidade de download de 600 para 1200Mbps. Certo que esta características são excelentes, mas não tão diferenciadoras quando comparadas com a concorrência. O que muda? A unidade de processamento neural dedicada, ou NPU. É a peça fulcral deste Huawei P20 (e P20 PRO) que não só ‘molda’ todo o funcionamento do equipamento, como ajusta, gere, aprende e potencia a utilização. É essa a maior valia deste processador, a capacidade invulgar de aprender com a utilização do proprietário, gerindo as questões de desempenho versus bateria para haver uma utilização homogénea sem quebras de performance. Ele, o processador, é capaz de enviar os recursos necessários para a actividade preferida, seja jogos, fotografia ou navegação na web, e gere tudo o resto.

 

Existem também outras mudanças no novo Huawei P20, com perdas e ganhos. Na questão da capacidade existe um ganho ‘tremendo’, sendo que a versão mais baixa é de 128GB de capacidade, mas perde a capacidade para cartão de memória. Ao invés, o slot de cartões passa a ser unicamente para dois cartões SIM, é um fato, e este P20 passa a ser Dual SIM. E isso também é uma vantagem para aqueles que usam por vontade ou obrigatoriedade dois números, seja a nível particular ou profissional.  Outra perda neste P20, e essa sim fez-me falta, é o jack 3,5mm, a popular entrada para auriculares. No P20 desaparece, dando lugar a uns auscultadores USB-C, com a razão a prender-se com os novos codecs permitidos e todas as novas possibilidades que prometem chegar. Dizem também que existe no lugar uma coluna mono para melhorar o som emitido pelo smartphone. Para minimizar a situação, e a par dos auscultadores USB-C que oferecem, a caixa inclui um adaptador de USB-C para o normal jack 3,5, permitindo continuar a usufruir dos nossos ‘antigos’ fones.

 

A bateria também foi um ganho, e para quem como eu mudou do anterior P10, nota-se. Não sei se pela maior capacidade, agora 3400mAh, ou por ser mais comedido ou inteligente a devorar amperes da bateria, mas efectivamente tenho smartphone durante mais tempo. Nota ainda para os 4GB de RAM que este versão do Huawei P20 mantêm, a par do seu antecessor P10. 

Como veredito? Este Huawei P20 convenceu, em desempenho e principalmente na fotografia. Aqui mostrou-se como ‘peixe na água’, fazendo valer o seu Kirin 970 e a AI, além da parceria com a LEICA. O P10? É muito bom, excelente poderia dizer, mas este P20 superou. Onde é que o P10 ganha? Bem, se formos sinceros, é rápido e com a parceria que também já usufruía com a LEICA não deixa ninguém mal visto no campo fotográfico, muito pelo contrário. Mas vale pelo preço a que agora se consegue obter. Por razões óbvias de mercado, e sempre que surge um sucessor, o modelo baixa de faixa de preço. E já se pode encontrar em algumas lojas ao valor do P20 Lite… menos de 400 euros. Mas o P20 ganha em quase tudo, principalmente no que interessa, desempenho e fotografia, a grande aposta da marca. Chegou ao mercado e bateu recorde de vendas, ultrapassou rivais nos Benchmarks de fotografia e afirmou-se como um dispositivo de topo. Perde para o P10 em preço, obviamente, mas comparativamente à concorrência fica a uns bons ‘furos’ abaixo em valor, mas ao mesmo nível de desempenho, e quiça superior em fotografia. Uma coisa ninguém lhe tira, ser pioneiro. E a 699,99 euros? 

Óscar Rocha

Autor: Óscar Rocha

Fundador e Editor do Motores & Tecnologia
Enviar E-Mail para: Óscar Rocha

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